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Portaria GM/MS nº 6.907/2025: o que muda na Atenção Primária à Saúde e como se adaptar com eficiência

A Portaria GM/MS nº 6.907, de 29 de abril de 2025, trouxe alterações profundas no modelo de cofinanciamento federal da Atenção Primária à Saúde (APS). Se você trabalha na gestão municipal do SUS, coordena equipes de saúde da família ou atua diretamente na ponta, é essencial entender as novas regras — não apenas para evitar a suspensão de recursos, mas também para garantir um serviço público de saúde mais eficiente, sustentável e centrado no cuidado.

Neste artigo, vamos detalhar cada ponto da nova portaria, explicando as mudanças, suas implicações práticas, e oferecendo dicas concretas para gestores e profissionais da saúde se adaptarem de forma proativa.


O que é a Portaria GM/MS nº 6.907/2025?

Publicada no Diário Oficial da União em 8 de maio de 2025, essa portaria altera trechos importantes da:

  • Portaria de Consolidação GM/MS nº 6, de 2017;

  • Portaria GM/MS nº 3.493, de 2024;

  • Revoga ainda dispositivos da Portaria Saps/MS nº 161, de 2024, e da Portaria GM/MS nº 5.668, de 2024.

Seu foco é redefinir critérios de suspensão de recursos para equipes da APS e consolidar uma nova metodologia de cofinanciamento federal baseada em desempenho e estrutura mínima das equipes.


Por que essa portaria é tão importante?

Porque ela condiciona o recurso financeiro federal à presença de profissionais essenciais, ao envio de dados corretos e ao desempenho mínimo de qualidade das equipes de APS. Em outras palavras, quem não se adequar às exigências poderá perder recursos parciais ou até totalmente.

Agora vamos ao que realmente interessa: as mudanças e como se adaptar.


As principais mudanças na prática

1. Suspensão de recursos financeiros: como funciona?

A nova norma cria um sistema gradual de suspensão, que pode ser proporcional (25%, 50%, 75%) ou total (100%), dependendo da gravidade da irregularidade.

Tipos de suspensão e motivos

Dica prática:

  • Use o SCNES como radar mensal. Programe alertas automáticos via planilhas ou sistemas para verificar, todo mês, a composição das equipes e possíveis lacunas.


2. Prazo máximo para regularização: 12 competências

Se a equipe ficar 12 meses consecutivos com suspensão total de recursos, o sistema revoga automaticamente:

  • o credenciamento da eSF/eAP (Identificador Nacional da Equipe – INE);

  • o quantitativo de vagas credenciadas dos ACS.

Ou seja, não basta “dar um jeito depois”. O prazo é firme, e a perda é definitiva após esse tempo.

Estratégia recomendada:

  • Tenha um plano de contingência para faltas: férias, licenças ou exonerações precisam ser cobertas com rapidez. Mapeie profissionais disponíveis para substituições emergenciais.


3. Indicadores de qualidade: novos parâmetros para repasse

A partir do segundo quadrimestre de 2025, indicadores serão incorporados ao componente de qualidade da APS. Isso impacta diretamente no repasse de recursos para:

  • Equipes de Saúde da Família (eSF)

  • Equipes de Atenção Primária (eAP)

  • Equipes de Saúde Bucal (eSB)

  • Equipes Multiprofissionais (eMulti)

Os repasses serão feitos durante 20 meses com base na classificação “bom”, enquanto os novos indicadores são consolidados.

Eixos temáticos dos indicadores:

O que isso muda na rotina da gestão municipal?

1. A atenção ao SISAB nunca foi tão importante

Agora, falhas na transmissão de dados podem resultar em cortes drásticos de financiamento. Portanto, investir em qualificação da digitação e envio das produções virou uma prioridade estratégica.

Sugestão de rotina mensal:

  • Verificar se todos os profissionais estão registrados corretamente no SCNES;

  • Confirmar que os dados foram enviados ao SISAB dentro do prazo;

  • Conferir se há duplicidade de cadastros ou inconsistências.


2. O papel do gestor local se torna mais analítico

Não basta ser operacional — o gestor de APS precisa:

  • Analisar indicadores de desempenho;

  • Cruzar dados de presença de profissionais com envio de produção;

  • Mapear vulnerabilidades de cada equipe com antecedência.

Isso exige, muitas vezes, capacitação contínua e suporte técnico.


3. Equipes mais estáveis tendem a se sair melhor

A rotatividade de profissionais compromete o cumprimento das metas e o envio de dados completos.

Boas práticas para estabilizar equipes:

  • Estimular contratos com maior tempo de permanência;

  • Criar planos de carreira municipais para ACS e técnicos;

  • Implantar programas de valorização e apoio psicossocial.


Como garantir que sua equipe esteja em conformidade?

Aqui vão 7 passos práticos para você aplicar a partir de hoje:

✅ 1. Crie um checklist de conformidade mensal

Inclua SCNES, produção no SISAB, presença dos profissionais e avaliação do desempenho.

✅ 2. Estabeleça responsáveis técnicos por equipe

Atribua um membro da equipe como ponto focal para garantir que tudo esteja registrado corretamente.

✅ 3. Treine quem envia os dados

Muitos erros vêm da base. Capacite agentes administrativos e digitadores para interpretar corretamente a produção e o registro de atendimentos.

✅ 4. Integre os dados com a Secretaria de Saúde

Mantenha relatórios mensais sobre os principais indicadores e faça reuniões regulares com o secretário de saúde para alinhamento.

✅ 5. Evite duplicidade de profissionais

Um erro comum é o mesmo profissional estar registrado em duas equipes ou serviços. Isso é critério para suspensão.

✅ 6. Corrija inconsistências imediatamente

Identificou que uma equipe ficou sem profissional mínimo por 1 competência? Já atue antes que a segunda competência seja concluída.

✅ 7. Planeje a longo prazo

Considere as 12 competências como um relógio regressivo. Se a equipe está suspensa, a prioridade máxima é sua regularização.


Exemplos de impacto prático nos municípios

Pequeno município rural

Um médico pediu exoneração e a gestão levou três meses para repor. Resultado: a equipe ficou sem envio de dados e sem dois profissionais mínimos, gerando suspensão total de 100% dos recursos.

Como evitar? Ter um banco de médicos temporários cadastrados para contratos emergenciais.


Cidade média com várias equipes de APS

A rotatividade alta de técnicos de enfermagem e ACS levou a equipe a registrar produção incompleta por dois meses seguidos. Isso gerou suspensão proporcional de 50% dos recursos.

Como melhorar? Implantar uma gratificação de permanência para profissionais da APS.


O que foi revogado com a nova portaria?

Foram revogados:

  • Art. 13 da Portaria Saps/MS nº 161/2024

  • Art. 2º da Portaria GM/MS nº 5.668/2024

Esses artigos tratavam de regras antigas de credenciamento e repasse de recursos, agora substituídas pela nova lógica de desempenho e conformidade.


Considerações finais: um novo capítulo para a APS

A Portaria GM/MS nº 6.907/2025 representa mais que uma mudança técnica — é um chamado para uma nova mentalidade na gestão da saúde pública. As equipes devem estar alinhadas, os dados precisam ser fidedignos e a atenção ao cuidado deve ser contínua.

Ela impõe rigor, mas também recompensa quem se organiza, se antecipa e entrega qualidade.

Se você é gestor, coordenador de equipe ou profissional da ponta, entenda: a sobrevivência financeira da APS depende da organização e da responsabilidade compartilhada.


Agora é com você!

O que você achou dessas mudanças? A sua equipe já está preparada para cumprir todas as exigências da nova portaria? Quais são os maiores desafios que você enfrenta para manter sua APS regularizada?

Deixe um comentário abaixo e compartilhe sua experiência com outros gestores e profissionais da saúde!

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